
Roteiro da Intolerância – A Censura Cinematográfica
no Brasil
O
documentarista e pesquisador de cinema Inimá Simões
enumera os filmes que sofreram cortes ou foram proibidos de
serem exibidos no Brasil, principalmente durante os anos em
que o país sofreu intervenção militar
(1964/1985). Estão lá desde o clássico
O Encouraçado Potemkin, proibido aqui e também
em diversos países europeus na primeira metade do século
20 até Je Vous Salue, Marie, que foi exibido
sob protestos da alta cúpula da igreja católica
(CNBB) e do presidente José Sarney em plena democracia
(outubro de 1985).
O livro reproduz os argumentos, muitas vezes absurdos, dos
censores, que seguiam as normas da alta hierarquia militar
e dos órgãos de informação, que
viam mensagens subliminares de adesão ao comunismo
até em simples filmes de kung fu.
Há também conversas com cineastas, produtores
e com os próprios censores, além da repercussão
na imprensa da época.
Há passagens bem interessantes, como a que envolve
o filme Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos.
O coronel Geraldo de Menezes Cortes, chefe do Departamento
Federal de Segurança Pública, proibiu o filme
por enaltecer “delinqüentes, viciosos e marginais”,
conter “expressões impróprias à
boa educação do povo” e ter sido feito
para servir “aos interesses políticos do extinto
PCB”. Ele chegou a esta conclusão sem ter visto
o filme. Nelson conta que o coronel só assistiu a uma
sessão depois de tê-lo proibido, gritando na
sala de projeção, que era “pior do que
imaginava”. O coronel comparou o filme a dois longas
tchecos comunistas que ele havia apreendido dias antes e disse
que no Rio de Janeiro não fazia um calor de 40º,
portanto, o título promovia uma mentira.
Os censores proibiam não só os filmes que mostravam
as mazelas da sociedade e poderiam degradar a imagem do Brasil
no exterior, mas também qualquer um que ofendesse a
moral e os bons costumes com cenas mais sensuais. Era o cinema
como corruptor de mentes.
Recentemente, o livro inspirou a mostra Censura Cinematográfica
no Brasil, que foi exibida no Centro Cultural do Banco
do Brasil (CCBB) do Rio no dia 12 de junho com a presença
de cineastas censurados, como Jorge Bodanzky (Iracema)
e Vladimir Carvalho (O País de São Saruê).
Serviço: Roteiro da Intolerância
– A Censura Cinematográfica no Brasil
Autor: Inimá Simões
Ano de Lançamento: 1999
Editora: Senac de São Paulo
264 Páginas
Preço médio: R$ 38,85
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